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13.9.15

sete a um

Quando estou só
Eu passo a pesar
Um milhão de toneladas
Quando estou comigo mesma sou
Leve e
Densa
Escombros de mim mesma
Que poluem vento

Quando lembro de nós dois
Corpos que se cruzaram em uma
Copa de ruas tumultuadas
Lembro
Sentir o extenso recomeço
Que pontua os meus ciclos
Espécie de em-si-mesmência
Ou coisa parecida

Quase carrego
Em mim
A audácia de um coração vazio

Mas quase



26.1.14

sobre vãos e pontes (e pontes sobre vãos)

A maior de todas as saudades é a que sinto enquanto você ainda está na minha frente.
É vontade de existir você em todos os poros. De ter você em todos os meus cantos e esquinas. De colar com você. Há muito 'nósdois' num espaço que não é só de distância física, entre corpos, mas também imaginária; esse 'nósdois' que a gente mesmo criou, e do qual nos nutrimos, pra aonde vai, onde é que fica, em quem se esconde, como se guarda, quando não há atrito entre bocas, entre os dedos das mãos? Existe um vão que a gente não supera nem deitados com as pernas enroscadas, e é a esse vão que eu dei o nome de saudade. Não saudade dos dicionários - a nossa saudade. Eu preciso de você mais do que dá para saciar. Mais dentro do que perto. Mais fora do que dentro. Na minha frente, na minha cara, dividindo do meu hálito. Ainda assim, sinto. Porque saudade é essa divisão entre peles que faz de 'nósdois' dois nós desatáveis - que permanecem atados pela mais bonita das teimosias.

[E ponte final]

12.10.11

minha definição de saudade

Waiting All Day by Silver Chair on Grooveshark

Força tal qual a gravidade, perturbação contínua e pungente, um morar em lembranças no qual só se entra pelas frestas da janela pois não se tem mais a chave da porta, a fantasia de conversas que poderíamos ter e das expressões que seu rosto faria e do que eu diria se isso ou se aquilo, a urgência por conselhos que não sigo, a vontade de cuspir tudo aquilo que anseio sem pesar nem mesmo as vírgulas, a tortura que é esperar por sinais e certezas que teimam em não virem ou que vêm lentas demais - a infelicidade.

(Saudade-gostosa-de-se-sentir não é saudade. Tomem nota)


2011.

20.7.11

conversinha sobre a dor passageira

Walking After You by Foo Fighters on Grooveshark


- Posso fazer um comentário?
- Pode.
- Eu nunca vi um olhar tão triste como o seu. Você precisa de ajuda?
- Poxa, obrigada.
- É sério, moça. Que olhos tristes. Expressivos demais. Talvez se você chorar, põe um pouco pra fora dessa tristeza. Chora um pouco. Os seus olhos estão de desabar o mundo inteiro junto. Cuidado com isso.
- Eu posso fechar os olhos, se estiver incomodando.
- Não, moça. Estou tocada pela sua tristeza. Não é pena, não, pena é feio. Mas me deu uma vontade enorme de compartilhar dessa sua tristeza. Como se eu fosse uma psicóloga.
- Engraçado, e a psicóloga sou eu.
- É sério, moça? Eu não sabia mesmo que dava, isso.
- Dava?
- É, tristeza.
- Como?
- Não sabia que psicólogo ficava triste.
- Quem me dera um diploma me separar dos meus problemas!
- Seus olhos sorriram agora, moça. Seus olhos são quase gente.
- Os olhos sorriem, mesmo.
- Mas você ainda está, né?
- O que?
- Triste.
- Bastante.
- Fica assim não, moça. Vai passar.

2010.